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O que faz falta

Sexta-feira, 06.01.12

Começo a ficar irritada por ouvir a palavra "Crise".

Todos os dias me bombardeiam com discursos onde esta palavra impera, e qual não foi o meu espanto, quando uma professora minha veio desabafar sobre este mesmo assunto,alegando partilhar da mesma opinião que eu, e aproveitando a deixa para se lamentar do estado em que se encontra o país.

Pois a mim irrita-me muito mais pessoas sem ambição e vontade para trabalhar do que ouvir falar em crise.

Quando se tem dezassete ou dezoito anos não se está em tempo de viver somente de sonhos, mas deve-se sim ter ambição de ser alguém melhor, capaz de deixar a sua marca na construção de um mundo, que se não for melhor,ao menos que não seja pior do que quando o encontramos.

Contudo, ao falar com a maioria das pessoas que me rodeiam, elas passam-me "atestados de experiência de vida", dizendo-me basicamente, que o melhor a fazer é estudar um bocado, tirar um curso na área das Ciências (sim, porque o resto é deitar tempo e dinheiro fora!), e fazer uma vidinha de modo a roubar o mais possível ao Estado, dado que ele também nos rouba a nós.

Ouvir uma coisa destas dá é vontade de atirar as pessoas do 7º andar...

Em primeiro lugar, todos nós temos uma quota parte de culpa relativamente a esta crise: queiramos ou não. Já todos roubaram ao Estado, já todos fugiram aos impostos, já todos foram cidadãos inconscientes alguma vez, e agora vêm com a conversa que a culpa é única e exclusivamente dos membros do Governo!

Sejam sinceros pelo menos uma vez na vida.

Agora custa-me também entender como pode este nosso país sair do buraco onde se meteu, se a grande maioria dos seus estudantes parece fazer questão de envergonhar o seu país, e digo mais, como estudante que sou, tenho imensa pena de muitas coisas que vejo passar à minha volta, mas vamos por partes:

 

1º- A maioria dos estudantes prefere gastar o seu tempo a elaborar o conhecido "copianço" do que a estudar para aprenderem alguma coisa;

2º- Grande parte dos estudantes na altura de escolher a sua área de estudos para o Ensino Secundário, faz a sua escolha sem pensar profundamente no assunto, e depois os resultados são os que estão à vista;

3º e último- O nosso Governo é tão consciente de como ser um bom estudante no meio de tudo isto, que opta por reduzir bolsas de mérito e apoio económico, que aumenta propinas, que vem falar-nos em "facilitismo nos exames nacionais".

 

Senhor Primeiro-Ministro sabe o que é facilitismo?

Eu vou explicar-lhe: facilitismo consiste em criticar as medidas de outrem e dizer que se vai fazer exatamente o contrário, e na hora da verdade, quando se tem poder nas mãos, fazer ainda pior.

Chega a ser triste ver o ponto a que isto chegou e ouvir aquilo que esta população diz - pode entender-se facilmente que estão descontentes, tudo bem- mas o que não se pode entender é as pessoas não perceberem que a educação e a formação são essenciais para se fazer avançar uma nação. Nos países mais desenvolvidos um trolha, um canalizador, um eletricista têm um curso superior - porque ter uma profissão destas não significa que as pessoas têm que ser menos dotadas ou terem menos formação - o que importa é apesar da profissão que exercem serem cidadãos conscientes, ativos, que têm noção do papel que têm que desempenhar na sociedade, porque não existem profissões ou cargos melhores e piores, existem funções diferentes, isso sim.

Se eu por acreditar que há solução para tudo isto, e que o futuro do meu país também depende de mim, do meu trabalho e da minha ambição, sou utópica, então não me importo de receber esse rótulo.

Há uns anos atrás, ter uma rede capaz de nos fazer aceder em qualquer lugar, a todo o tipo de informação através de um simples clique, era uma utopia: hoje em dia todos temos Internet em casa.

Antes dos portugueses se aventurarem nos Descobrimentos o Mundo era como uma bolacha: chegava-se a um ponto que já não havia mais nada, e pumba se caía no abismo;e ainda mais: a América, supostamente, nem existia!

Hoje andam os americanos a mandar nisto tudo.

 

Com pessoas conformistas que preferem cruzar os braços e enterrar a cabeça na areia (como as avestruzes), realmente não vamos sair deste fosso que nós próprios ajudamos a cavar.

 

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publicado por CoisasDeTudo às 19:33





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