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A anos-luz… daquilo

Quinta-feira, 12.01.12

-Gégé, tens Aquilo?-perguntou Zizi.

-Eu? Eu não…Eu dei Isso ao Quimé!

Todos andavam à procura d’ Aquilo, mas ninguém sabia onde Isso estava, pois o Gégé era o irresponsável da galáxia, e o Zizi o mais esquecido, bem como o Quimé o mais disparatado.

-Oh, mas bem sabes que Aquilo era importante- lamentou-se Gégé.

-Eu não tive culpa, e o certo é que a missão é daqui a doze horas e temos que ter Aquilo, se não, não podemos fazer nada!

-Eu não acredito,mas é que eu não acredito…

-Pessoal,pessoal – aparece Quimé a gritar- nem vos digo o que aconteceu!

-Onde está Aquilo?-apressou-se a perguntar Gégé.

-Agora é que a porca torce o rabo! Estava a vaguear pela Via Láctea quando sem querer Aquilome escorregou…

-Escorregou?-apressou-seZizi a perguntar- Como é que Isso foi possível?

-Olha, sequeres que te diga, nem eu sei… O que eu sei é que Aquilo escorregou-me e foi cair dentro daquele Planeta que é muito azul, aquele depois de Vénus… Como é que se chama?

-Na Terra? –atirou Gégé.

-Nem mais -confirmou Quimé - E agora temos que ir lá buscar Aquilo.

-Temos?Temos não meu amigo. Segunda pessoa do singular: Tu tens.

-Não acredito que vão deixar aqui o vosso amigo Quimé sozinho… Vá lá, vamos lá num rápido, trazemos Aquilo, e está o assunto arrumado! É um instantinho. É chegar lá, pegar e andar: metemo-nos na minha nave espacial, e daqui a nada jáestamos cá.

-Ó Zizi acho que temos que ir mesmo com ele – começou Gégé- Se não temos Aquilo nas nossasmãos até à hora combinada estamos completamente excluídos da coisa. Não, não pode ser! Vamos com ele.

Partiram os três amigos na nave espacial de Quimé, e chegaram ao Planeta Terra.

Primeiro ficaram assustados com aqueles movimentos daquelas máquinas com rodas, e depois ficaram receosos com as caras daquelas indivíduos dos quais já tinham ouvido falar: os humanos – eram semelhantes a eles fisicamente, mas Quimé achava-se bastante mais bonito.

-Ao menos as nossas roupas não são muito diferentes das deles – observou Gégé.

-São sim, eu não conseguia andar com as calças com a cintura nos joelhos, olha para aqueleali, nem consegue andar!

-Tchi,olha-me bem aquilo Quimé. Já viste como esta gente anda tão séria, sem se rir,sem dizer bom dia?

-Eu acho que quero voltar para a nossa Galáxia – observou Gégé.

-E vamos para lá, mas primeiro temos que encontrar aquilo que o Quimé fez o favor de perder, não foi?

-Ei! Olha Aquilo! Está ali, está ali!

-Ali onde? –perguntou Zizi.

-Ali, ali em cima, em cima daquela coisa grande!

Quimé perdera Aquilo, e Aquilo caíra em cima das telhas do Parlamento de um Paíschamado Portugal. Não era nada fácil trepar até lá cima, mas eles tinham que arranjar uma solução.

Viam carros muito compridos a chegar, e aproveitaram-se da distração dos guardas, parasubirem por uns canos e entrarem pelo telhado. A primeira coisa que viram é que lá dentro haviam muitas cadeiras, mas também muitos lugares vazios. Para além disso estava um senhor a discursar, a quem chamavam uma coisa muito estranha: “Senhor Primeiro-Ministro”.

 Parecia que o ano de 2056 não estava a correr muito bem para este país, que haviam uns senhores quaisquer, que tinham andado a emprestar dinheiro a Portugal e ainda não tinham parado de cobrar uma coisa que parecia incomodá-los muito, chamada “juros”.

-Ei pá, -diz Quimé dando uma palma na cabeça a Gégé- olha ali Aquilo, vai buscar!

-Tu estás doido pá! Aquilo está ali no meio, não podemos entrar lá dentro. Ou muito me engano, ou este mausoléu é um sítio importante para os humanos, se entramos lá dentro estamos feitos.

-Deixa-te disso Zizi, tu não vês que tem ali muitas cadeiras vazias? Entras aqui pelo telhado cais numa, trazes Aquilo e vamos embora…

-Olhem eu vou, pronto! Assim fica o assunto arrumado – aventurou-se Gégé.

Gégé atirou-se então pelo telhado e caiu mesmo em frente do político que discursava na altura. O discurso parecia-lhe um tudo-nada confuso, mas o que queria era pegar Naquilo, e ir-se embora. Contudo, quando Gégé já tinha Aquilo na mão, opolítico dirige-lhe uma pergunta:

-E o senhor deputado, o que acha?

-Está a falar comigo? – inquiriu Gégé.

-Pois está claro que estou! Que me tem a dizer senhor deputado, o que acha disto?

-Disto?Disto ou Daquilo? Aquilo é muito importante para mim, mesmo muito importante! Aliás, é por causa d’Aquilo que eu estou cá...

-Por amor de Deus senhor deputado, aquilo também não é assim tão importante.

-O senhor é que não percebe nada disto – atirou-lhe Gégé.

O Parlamento rompeu em gargalhadas e bateu palmas a Gégé, que aproveitou para sair de mansinho; ao chegar perto dos amigos Quimé elogiou:

-Parece que os humanos te acharam piada Gégé, se calhar devias investir nisto!

-Oh, vamos mas é para a nossa galáxia, que já temos Aquilo!

E lá foram os três amigos de volta para a sua galáxia, rindo-se da confusão que ia no meio de todos aqueles políticos.

 

(História
escrita por Daniela Leal para a Fábrica de Histórias)

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publicado por CoisasDeTudo às 18:08


4 comentários

De SDaVeiga a 13.01.2012 às 01:34

Adorei a história Daniela, especialmente a parte das palmas a um "deputado" que achava que aquilo é que era importante! Concordo com ele e acho que o deviam eleger Presidente da República, mas ele tendo caído lá aos trambolhões!
Tudo de bom,
Sónia

De CoisasDeTudo a 15.01.2012 às 19:52

Obrigado Sónia ,

Um bom fim de semana


Daniela Leal

De Closet a 19.01.2012 às 00:41

O que me ri com esta história :D desde os nomes Gégé e Quimé à confusão do parlamento!! "aquilo" devia ser mesmo importante!!
Beijinhos

De CoisasDeTudo a 19.01.2012 às 17:43

"Aquilo" era aquilo... Aquilo e pronto ! E Aquilo era importante :D

Acho que era uma história que merecia boa disposição

Abraço,

Daniela Leal

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