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"Olhe, você não tem um odor muito agradável ..."

Sexta-feira, 24.02.12

Sabem aqueles dias em que acordamos mal dispostos e parece que tudo corre mal, e quando nos fazemos à estrada as coisas ainda começam a
correr pior?

Bem, eu tive um desses dias aqui há uns tempos… Contudo – e como não podia deixar de ser – houve uma daquelas histórias de autocarro que fazem uma pessoa rebolar de tanto rir.

 

Querem ouvir?

 

Mesmo que não queiram, eu vou contar.

 

Saí de casa atrasada – ou melhor, atrasadíssima – a correr desvairada para ver se não perdia (novamente) o autocarro. Não me perguntem como, mas sempre consegui chegar a horas ao autocarro.

Mal me sentei percebi que me se tinha colado pastilha elástica às minhas calças: a espumar pela boca de tanta raiva, respirei fundo aíumas três vezes e tentei manter a calma.

 

 Até aqui nada de muito extraordinário,porém o mais caricato ainda estava para acontecer.

 

Entra no autocarro um daqueles adolescentes com um ar super rebelde com phones nos ouvidos  no volume máximo – desnecessário seja dizer que eu conseguia ouvir no meu banco a música que a criatura tinha aos gritos nos ouvidos.

 

Continuamos no entanto sem ver nada de caricato, isto até ao dito adolescente se sentar de frente com uma senhora muito bem arranjada, muito
asseada, e colocar os pés no banco à frente da tal mulher.

Estava um calor abrasador e o sol raiava com extrema intensidade; as pessoas apresentavam faces extremamente coradas, quando não, gotículas de suor a caírem-lhe pelo rosto.

Perdida nos meus pensamentos sinto-me despertar pela conversa, ou melhor, pelo início da discussão que se travava ali mesmo ao meu lado.

- Olhe menino, peço imensa desculpa, mas não admito que coloque os pés aqui exactamente ao meu lado.

-E não admite porquê? – questionou o adolescente quase aos gritos devido ao alto volume dos seus headphones.

-É assim querido, em primeiro lugar o seu tom de voz não me parece o mais adequado, em segundo lugar é falta de educação colocar os pés , e
em terceiro lugar o cheiro dos seus pés não é o mais agradável.

-Está a insinuar que os meus pés cheiram mal? – pergunta o adolescente já mais irritado.

-Olhe se não quer que diga que eles cheiram mal, eu não digo, mas o que é certo, é que bem não cheiram… De modo algum!

- Mas o que a senhora diz a mim não me incomoda, e a mim sempre me ensinaram que os incomodados é que se devem retirar –vociferou o adolescente.

- Pois bem – solucionou a mulher – proponho que o menino se sente aqui ao meu lado, e coloque os pés no banco à minha frente: você fica na mesma agradado, e é um grande favor que me faz, sem esquecer que é um acto que não lhe fica nada mal.

O miúdo lá decidiu aceitar a proposta da senhora e trocou de lugar; pouco depois é ele a interpela-la:

-Olhe a senhora liberta um odor da sua cabeça que me dá comichões!

-Comichões? Ora essa! Por quem me toma? Eu tomo banho regularmente, e não vejo de que modo o odor da minha cabeça lhe poderia dar comichões – - justificou-se a senhora.

-Pois, eu também não sei como isso acontece, mas a verdade é que me sinto incomodado. Aliás, recuso-me a prosseguir viagem se continuar a sentir este cheiro. Porque não troca de lugar comigo? Pode ser que esta aragem que vem da janela atenue esse horroroso odor, e consigamos manter uma viagem tranquila.

-Olhe – principiou a mulher- não é que eu pense que a minha cabeça cheira mal, mas para evitar escândalos eu troco de lugar consigo.

 

E lá trocaram os dois de lugar.

 

Não tardou a ser a mulher novamente a puxar assunto com o rapaz:

- Os seus pais deixam-no andar com esse penteado? Olhe que se fosse meu filho eu não o permitiria.

Todo o autocarro já ria e esperava a investida seguinte: aquilo já não se tratava de um caso normal do quotidiano, mas de uma picardia pateta.

-Olhe e o seu marido deixa-a andar com esse busso tão grande? Olhe que se fosse minha mulher eu não o permitiria.

-Insolente!

Este remate do rapaz tinha sido mesmo muito forte, e eu que já ia sair na paragem a seguir nem tempo tinha para ver o fim daquela paródia.

Quando estava mesmo para sair ouço a senhora virar-se para mim: “Oh não” pensei eu “Agora sou a próxima vítima.”

- Olhe menina peço imensa desculpa…

-Sim, que foi? – resmunguei eu.

-Deixou cair um maço de lenços – respondeu com ar de quem gostava de me ter chamado “Malcriadona!” .

-Obrigada – tentei eu remediar-me.

 

O rapaz olhou para mim sorridente e mostrou-me o polegar, deve ter pensado que encontrou uma aliada.

 

(História escrita por Daniela Leal para a Fábrica de Histórias).

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publicado por CoisasDeTudo às 17:58

As estações da vida

Sábado, 04.02.12

Costuma dizer-se que as pessoas que ficam sozinhas, ou porque não casaram, ou porque os seus familiares faleceram, ou por qualquer outro motivo, são infelizes: isto porque um dos maiores medos do ser humano, é esse mesmo: ficar na solidão.

Aquilo que por vezes nos parece absurdo, é todavia, uma grande verdade: seja quem for, num momento ou outro da vida, sente sempre que
os outros o abandonaram! Aliás, mais que os outros – sente até que tudo e todos o abandonaram.

Ficar sozinho quando não é uma opção, é uma imposição…


Principalmente na nossa juventude, talvez até mais na adolescência, diversas vezes dizemos que queremos ficar sozinhos, depois choramos porque nos sentimos sozinhos, e acusamos os outros de nos terem deixado assim.

Passado alguns anos, já somos pessoas diferentes, e temos tendência a querer que todos nos rodeiem… Todo o tempo que passamos com os outros nos
parece pouco: vamos a todas as festas, não perdemos uma única oportunidade para sair e as multidões são o nosso mundo.

Mais algum tempo volvido, e vamos aprendendo o valor do silêncio e do descanso: cansamo-nos de toda aquela euforia de outrora,sentimo-nos muitas vezes “deslocados” e pensamos em mudar de vida – mas já perdemos a euforia de outrora! O que tínhamos a fazer de novo e inovador  achamos que já está feito, e que agora é tarde demais. Subimos mais uns degraus na escada da vida e procuramos não um tempo sozinhos, mas sim um tempo só connosco mesmos. É uma fase profunda, de reflexão, onde nos procuramos afastar da monotonia, apesar de já termos mergulhado nela.

Por vezes, por volta desta faixa etária volta aquele entusiasmo da juventude – pode até tentar-se viver essa euforia por algum tempo – mas depois apercebemo-nos que o nosso tempo já passou, e que a juventude já não passa de retratos de um passado perdido.

De uma determinada idade em diante, sentimo-nos já como meros espectadores da vida: como se estivéssemos sentados numa qualquer cadeira
num café a olhar os outros, a ver a vida passar, a ver que por muito que se tente contrariar a vida, todos acabamos por fazer mais ou menos o mesmo
percurso.

Aí sim, vem realmente o medo da solidão – já não é o medo de se viver sem ninguém – mas a angústia de se poder morrer sozinho.

Damos gritos no silêncio, choramos sem lágrimas à vista, e ainda assim às vezes conseguem ter a indecência de nos abandonarem…

Apesar de vermos que todos têm um percurso muito idêntico, o certo é que todos se esquecem que passarão pelo Outono da vida, e que precisarão dos outros mais do que nunca, para não caírem sozinhos num abismo chamado solidão!

 

(Texto produzido por Daniela Leal para a Fábrica de Histórias).

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publicado por CoisasDeTudo às 12:35

Certo dia

Quarta-feira, 25.01.12

Aqui está uma história que me pediram para escrever e eu não resisti:

 

"Embora possa parecer que não, há sempre uma altura na vida que todos nos questionamos sobre onde estarão os nossos amigos. Costuma
dizer-se que estes são para as ocasiões, mas o certo é que diversas vezes parecemos necessitar deles para nos apoiarem e não encontramos nada mais do que um lugar vazio.

Um certo dia acordei e fiquei deitado na cama de olhos bem abertos e fixos num qualquer ponto na parede, a pensar no que sou, o que faço e em quem tenho de importante na minha vida.

Talvez nunca tenha pensado nisto profundamente, ou simplesmente seja quase um cliché refletir sobre estas questões,  um tudo-nada filosóficas, de vez em quando.

Como jovem que sou, tento ter esperança neste lugar que me apresentaram como sendo o mundo onde teria que viver, contudo vou constatando
ao longo do meu percurso, que a diferença entre o que vejo e um mundo melhor, parte de mim, da minha iniciativa – aliás, se cada um tomasse as rédeas para construir um sítio melhor para se viver, desencadear-se-ia uma ação conjunta sem precedentes, que levaria a uma evolução nunca antes vista, sequer imaginada.

Aqui, portanto, entra a importância dos amigos e das relações pessoais.

Ao contrário do que muitos podem pensar a amizade não se valoriza pelo tempo a que existe, ou pela quantidade de coisas que fazemos em prol do bem-estar do nosso amigo: quando se quantifica os sentimentos eles já perderam o seu valor. Algo que ninguém devia esquecer.

Sem dúvida de que eu sou apologista de que amigos há muito poucos, mas amiúde, dou comigo a pensar se não profiro esta frase por “exigir” demais
dos outros… Afinal nós procuramos amigos ou a perfeição que não possuímos?

 

Quando um amigo nosso faz algo errado (apesar de já ter feito imensas coisas certas), somos diversas vezes os primeiros a apontar-lhe o
dedo…

Se por algum motivo nos mente, apesar de ter dito milhões de verdades até esse momento, rotulamo-lo de mentiroso e depois a relação nunca mais fica igual…

Chegamos até ao ponto de sermos hipócritas a um nível tal, que consideramos como uma das nossas virtudes ser “amigo do nosso amigo”! Se somos amigos de quem é nosso amigo, podemos considerar isso uma virtude? Não, simplesmente estamos a retribuir a amizade que outra pessoa nos oferece, o que até faz transparecer que estamos a fazer muito pouco…

Estava eu de tal forma absorto nestes pensamentos e questões, que me assustei quando ouvi um barulho: era o maldito telemóvel a tocar.

Primeiro pensei em não atender, mas quando vi que era o meu chefe achei melhor fazê-lo, não fosse o homem enervar-se seriamente. (Peço desde já desculpas se no início vos fiz pensar que era um jovem saído da adolescência, apesar de às vezes parecer isso, sou na verdade um homem de 35
anos mas muito jovem de espírito, acreditem!).

 

Graça de Deus ou seja o que for, o certo é que o meu chefe desligou a chamada: “Melhor para mim”, pensei.

Fico sinceramente irritado quando me incomodam do trabalho ao fim-de-semana – já não chega ter um contrato a termo, e um salário que é uma miséria ainda tem que se fazer horas extraordinárias- que trabalho fabuloso que é o meu!

Quando pensava que já não teria mais nada a incomodar o tempo que destinei para as minhas questões filosóficas, eis que tocam à
campainha. A primeira coisa que pensei foi: “É a vizinha do lado a perguntar se lhe posso emprestar um bocadinho de açúcar, portanto, não vou abrir!” Todavia comecei a ouvir a voz de um amigo meu- perdão, do meu melhor amigo- a chamar por mim.

 

Apressei-me a chegar até à porta e fui desde logo interpelado pelo meu amigo:

- Então rapaz, ainda na cama a estas horas? Se trinta e cinco anos não chegam para ter juízo, então não sei quando vais assentar miúdo!

- Deixa-te lá disso Gervásio, entra e senta-te ali no sofá…

 

O meu amigo corou um pouco. Nunca gostou do nome Gervásio, por isso lhe chamávamos de “Gé” mas naquele momento, e sem saber como, aquela
palavra saiu-me sem que eu tivesse conseguido sequer pensar nela. Mas ele não se ofenderia- há tantas coisas no mundo com que nos podemos ofender, que uma pequena lacuna de um amigo não entra nesse grupo.

Contudo, e para grande espanto meu, o Gé recusou o convite:

- Nem penses… Com um dia lindo destes vamos tomar um café à esplanada ali na esquina e aproveito para comprar tabaco que ando com o maço
vazio.

- Não me apetecia nada sair de casa…

- Comigo não há apetites pá, arranja-te rápido que não tenho a vida toda para esperar por ti!

 

Sorri.

 

O Gé sabia sempre como fazer-me sorrir: dizia a coisa certa na hora certa, da forma que só ele sabia; deste modo, imensas vezes me convencia as fazer coisas, que se fosse outra qualquer criatura a lançar-me o convite eu nunca aceitaria.

Quando cheguei à sala já pronto para sair, olhou-me com um sorriso e exclamou:

- Finalmente! Tanto tempo para isso - bateu-me nas costas-Vamos lá então…

Enquanto saía de casa com o meu melhor amigo, pensava para comigo que já havia encontrado a resposta a todas as minhas questões. Ri-me até da minha inocência ao refletir sobre tais items, mas o certo é que o valor da amizade caminhava ali ao meu lado, ansioso por ir tomar um café e comprar um maço de Marlboro.

Às vezes não precisamos de grandes gestos para entendermos o valor de uma amizade: ser a única pessoa capaz de nos levantar da cama e tirar
de casa, chega perfeitamente!"

 

(História totalmente fictícia da autoria de Daniela Leal).

 

 

 

 

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publicado por CoisasDeTudo às 20:47

A uns sapatos do fim...

Quarta-feira, 25.01.12

Joana Castro Vasconcelos era seu nome – aliás, usava-o quase como se fosse um título – “Menina Vasconcelos” aqui, “Menina Vasconcelos” ali…

Tinha sempre tudo o que desejava, mas todos os dias conseguia ter desejos novos: eternamente insatisfeita aquela menininha!

Com um curso que já deveria ter sido acabado há mais de cinco anos, e um lugar já garantido na empresa da família… Garantido como quem
diz, dado que nunca poria lá os pés.

 

Os seus dias eram passados em centros comerciais, a fazer compras e mais compras, a conhecer pessoas, com quem nunca conseguia travar verdadeiras amizades, tal era o seu feitio mesquinho e infantil.

 

Joana era daquelas pessoas que nos fazem pensar se o Homem realmente já evoluiu suficientemente até ao ponto de ser humano – sim, é
verdade – de ser humano.

Um ser humano que se preze, por muito egoísta que possa ser, olha sempre para o lado e percebe que tem que dar a mão a quem precisa … Mas
Joana não. Sinceramente penso que ela nunca soube o que era amar, ser amada, ser amiga, dar e dar-se.

 

Estão a ver aquelas prendas que nos oferecem com um embrulho muito bonito, um laço gigante, e quando abrimos é a maior decepção de sempre?
Isso era a Joana.

 

Sim, era.

 

Conhecida pelo seu gosto desenfreado de fazer compras por valores astronómicos para a maioria dos comuns mortais, Joana um dia decidiu
que teria que fazer uns sapatos à sua medida: não teve meias medidas!

Encomendou os ditos sapatos a um estilista, e logo no dia da prova iria lançar um boato na Imprensa para todos poderem apreciar o esplendor
da “Menina Vasconcelos”.

No dia em que finalmente saiu à rua com os sapatos, passou  por um mendigo na berma da estrada que lhe disse:

 

- Dá-me esses sapatos.

-Como? – inquiriu Joana.

-Dá-me esses sapatos.

- O senhor está doido, eu não lhe dou sapatos nenhuns!

- Tu estás vestida e bem calçada, eu sou pobre, roto, morro de frio e de fome. Que diferença fará ficares sem esses sapatos?

 

-Olhe em primeiro lugar o senhor não me conhece de lado nenhum, por isso não me trata por tu. Em segundo lugar estes sapatos custaram-me os olhos da cara.

-E a minha vida? Tens noção de quanto custa a minha vida? De quanto custa qualquer vida humana? De quanto custa a tua vida?

-Olhe, estes sapatos nem sequer são de homem… Não percebo essa sua insistência ridícula – rematou Joana.

-Todos temos direitos a ter caprichos – até Deus os tem! Seja capricho ou não, o certo é que tu tens tudo e eu nada. Isso para ti é uma insignificância, pena que esse teu egocentrismo desmedido não te faça ver o que estás a perder na vida.

-Para quem é mendigo parece falar muito bem – disse Joana sarcástica – O que é certo, é que eu não tenho tempo a perder. Um minuto na
minha vida quer dizer muito. Tempo é dinheiro, e eu não vou desperdiçar nem uma coisa, nem outra consigo.

-Mais vale perder um minuto na vida do que a vida num minuto– advertiu-a o mendigo.

 

Joana foi desvairada para casa.

 

Como podia aquele homem, sujo, imundo, velho, que nada sabia da sua vida inquiri-la daquela forma?

Quem julgava ele ser? Um homem sozinho, derrotado pela vida, derrotado por todos; um homem que era ignorado, maltratado, olhado de lado… Se
calhar havia dias que nem comia, embebedava-se com vinho rasco que um ou outro sujeito lhe oferecia, cheirava mal, fedia até… Podia ele ter alguma
legitimidade em dizer fosse o que fosse à “Menina Vasconcelos”?

 

Ao atravessar a estrada para o local onde o seu carro estava estacionado, Joana ia tanto absorta nos seus pensamentos, que não reparou no
carro que vinha a alta velocidade.

O veículo bem tentou travar, mas já era tarde.

 

Joana jazia no chão, a fitar a vida agora perdida.

 

Ainda olhou de relance os seus sapatos… Os seus imaculados sapatos.

 

Como a vida é irónica: as pessoas vão, e as coisas ficam.

Fará alguma diferença para quem, como Joana, sempre valorizou as coisas e desprezou as pessoas?

Se houve ou não arrependimento foi tarde demais. Por vezes, a vida prega certas rasteiras com as quais ninguém conta, e que lá bem no fundo
tinham a sua razão de ser, mesmo que duras.

 

 

A “Menina Vasconcelos” que o diga.

 

 

 

(Produzido para a Fábrica de Histórias por Daniela Leal)

 

 

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publicado por CoisasDeTudo às 20:40

Isto é bem feito para quem tem a mania

Sábado, 21.01.12

Não é fácil conviver com pessoas que têm a mania, e pelo que vejo, os outros devem achar que sou uma dessas pessoas.

Não é por mal, mas há coisas que me irritam de verdade, por exemplo: nunca vos aconteceu chegar a um sítio e dizer bom-dia sem ninguém vos responder?

Pois posso dizer-vos que sim, e o que faço logo a seguir é dizer “As consultas nos otorrinos devem andar mesmo caras”, ouvindo logo de seguida “Esta tem a mania”.

Tal como quando estou numa loja e a empregada me começa a seguir - aliás ainda hoje me aconteceu isso.

 O melhor de tudo foi que ela ainda disse: “Só pode levar duas peças de cada vez para experimentar!” Ao que eu respondi logo: “Claro, porque estes vestidos são muito fáceis de meter ao bolso, até aproveito e meto logo os dois!”

 Posto isto é fácil perceber o que a funcionária pensou: “Esta tem a mania”.

 Sinceramente, até acho uma certa piada a isso de “ter a mania”, mas nunca entendi muito bem o que queriam dizer…

Será que é alguma patologia grave? Talvez devesse estar escrita no meu boletim de saúde!

Hum…

Será que é mesmo defeito?

Não, não me parece. Já está tão “pegado” que é mesmo feitio. E se calhar é mesmo por isso que me acontecem coisas estranhas.

 Já vos aconteceu uma coisa deste género:

“Aparece uma criatura que nunca vi mais gorda e diz:

 -Oh menina, é verdade que sábado vai haver um espetáculo?

-Sim, acho que sim, pelo menos vi os cartazes – respondo eu.

 -Também me disseram que sim, acho que lá no papel tem uma fotografia tua com o teu namorado.

-Não minha senhora, deve estar enganada, não tenho nada haver com esse espectáculo…

-Ai, mas disseram-me… Que tu tinhas uma fotografia no cartaz mais o teu namorado!

-Mas eu estou a dizer-lhe que não tenho…

-Não tens? Mas eu vi lá a fotografia com o teu namorado.

-Minha senhora, a sério, não tenho lá foto nenhuma com namorado nenhum!

-Pronto, se tu dizes que não tens não tens… Mas por acaso estava lá a tua foto mais o teu namorado…

” Desisti e virei as costas à mulher.

 

Definitivamente, eu só atraio cromos.

 

 (Escrita por Daniela Leal para a Fábrica de Histórias)

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publicado por CoisasDeTudo às 20:55

O que perde na pose, ganha na coragem...

Terça-feira, 17.01.12

Bem, que o homem não tem muita noção do local onde se encontra, isso é verdade...

 

Agora que lata e coragem não lhe faltam, isso não!

 

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Politica/Interior.aspx?content_id=2245782

 

 

Já está na altura de alguém pôr fim à imitação de Fascismo que Jardim exerce na Madeira: depois de uma bandeira Nazi, de um relógio ao peito, foi a vez de ocupar o lugar de Alberto João Jardim no Parlamento.

 

Se for o senhor a destronar essa criatura, então força José Manuel Coelho !

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publicado por CoisasDeTudo às 19:36

Os pais de hoje

Segunda-feira, 16.01.12

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Seguranca/Interior.aspx?content_id=2243646

 

Se me vierem dizer que mandar estes trogloditas para as prisões ou para as ditas “Casas de Correção” em Portugal era só uma forma de eles
ficarem piores, eu concordo, mas não é com penas suspensas e passar a mão na cabecinha dos meninos dizendo “Coitadinho, tem um contexto familiar muito complicado, por isso é que é assim”, que vai resolver as coisas.

 

Eu todos os dias, convivo de perto com este género de criaturas, e o que eu posso dizer é que eles não têm emenda assim facilmente;aliás, muitos até nem a têm.

Que isto parte de casa é uma realidade: os pais de hoje em dia tentam em vez de serem “amigos”, ser “amiguinhos”, e parecendo que não, há
uma grande diferença entre estas duas coisas.

Antigamente, os filhos tinham que pedir aos pais para ir sair à noite, hoje não… hoje os pais compreensivos dizem: “Oh filhinho eu vou contigo!”. E vão todos sair à noite, aliás, até conhecem umas miúdas giras juntos…

 

Antes, um filho pedia ao pai para fazer um “piercing” - hoje o pai ou a mãe vão com ele, e aproveitam e fazem também.

Em tempos mais remotos, até para se passar uma noite fora de casa, tinha que se pedir. Hoje não! Os pais até dizem: “Filho/a traz o/a teu/tua namorado/a cá para casa e dormem cá! Não precisam gastar cá dinheiro em móteis.”  (Mesmo que troquem de namorado todas as semanas).

 

Aliás, antes ter uma negativa era uma vergonha, hoje não! A culpa é dos professores, esses malandros que andam aí a importunar as crianças,
a tentar transmitir-lhes algum conhecimento… Para que precisam disso? O Ronaldo nem o 9º ano tem, e ganha milhões!

 

Por isso mesmo, queridos pais da nossa nação, não se esqueçam de continuar a passar a mão na cabeça dos vossos filhos, a aparar-lhes
todos os golpes, que dentro em breve se se aperceberem que têm um delinquente dentro de casa, só pode ser pura coincidência!!!

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publicado por CoisasDeTudo às 21:10

A anos-luz… daquilo

Quinta-feira, 12.01.12

-Gégé, tens Aquilo?-perguntou Zizi.

-Eu? Eu não…Eu dei Isso ao Quimé!

Todos andavam à procura d’ Aquilo, mas ninguém sabia onde Isso estava, pois o Gégé era o irresponsável da galáxia, e o Zizi o mais esquecido, bem como o Quimé o mais disparatado.

-Oh, mas bem sabes que Aquilo era importante- lamentou-se Gégé.

-Eu não tive culpa, e o certo é que a missão é daqui a doze horas e temos que ter Aquilo, se não, não podemos fazer nada!

-Eu não acredito,mas é que eu não acredito…

-Pessoal,pessoal – aparece Quimé a gritar- nem vos digo o que aconteceu!

-Onde está Aquilo?-apressou-se a perguntar Gégé.

-Agora é que a porca torce o rabo! Estava a vaguear pela Via Láctea quando sem querer Aquilome escorregou…

-Escorregou?-apressou-seZizi a perguntar- Como é que Isso foi possível?

-Olha, sequeres que te diga, nem eu sei… O que eu sei é que Aquilo escorregou-me e foi cair dentro daquele Planeta que é muito azul, aquele depois de Vénus… Como é que se chama?

-Na Terra? –atirou Gégé.

-Nem mais -confirmou Quimé - E agora temos que ir lá buscar Aquilo.

-Temos?Temos não meu amigo. Segunda pessoa do singular: Tu tens.

-Não acredito que vão deixar aqui o vosso amigo Quimé sozinho… Vá lá, vamos lá num rápido, trazemos Aquilo, e está o assunto arrumado! É um instantinho. É chegar lá, pegar e andar: metemo-nos na minha nave espacial, e daqui a nada jáestamos cá.

-Ó Zizi acho que temos que ir mesmo com ele – começou Gégé- Se não temos Aquilo nas nossasmãos até à hora combinada estamos completamente excluídos da coisa. Não, não pode ser! Vamos com ele.

Partiram os três amigos na nave espacial de Quimé, e chegaram ao Planeta Terra.

Primeiro ficaram assustados com aqueles movimentos daquelas máquinas com rodas, e depois ficaram receosos com as caras daquelas indivíduos dos quais já tinham ouvido falar: os humanos – eram semelhantes a eles fisicamente, mas Quimé achava-se bastante mais bonito.

-Ao menos as nossas roupas não são muito diferentes das deles – observou Gégé.

-São sim, eu não conseguia andar com as calças com a cintura nos joelhos, olha para aqueleali, nem consegue andar!

-Tchi,olha-me bem aquilo Quimé. Já viste como esta gente anda tão séria, sem se rir,sem dizer bom dia?

-Eu acho que quero voltar para a nossa Galáxia – observou Gégé.

-E vamos para lá, mas primeiro temos que encontrar aquilo que o Quimé fez o favor de perder, não foi?

-Ei! Olha Aquilo! Está ali, está ali!

-Ali onde? –perguntou Zizi.

-Ali, ali em cima, em cima daquela coisa grande!

Quimé perdera Aquilo, e Aquilo caíra em cima das telhas do Parlamento de um Paíschamado Portugal. Não era nada fácil trepar até lá cima, mas eles tinham que arranjar uma solução.

Viam carros muito compridos a chegar, e aproveitaram-se da distração dos guardas, parasubirem por uns canos e entrarem pelo telhado. A primeira coisa que viram é que lá dentro haviam muitas cadeiras, mas também muitos lugares vazios. Para além disso estava um senhor a discursar, a quem chamavam uma coisa muito estranha: “Senhor Primeiro-Ministro”.

 Parecia que o ano de 2056 não estava a correr muito bem para este país, que haviam uns senhores quaisquer, que tinham andado a emprestar dinheiro a Portugal e ainda não tinham parado de cobrar uma coisa que parecia incomodá-los muito, chamada “juros”.

-Ei pá, -diz Quimé dando uma palma na cabeça a Gégé- olha ali Aquilo, vai buscar!

-Tu estás doido pá! Aquilo está ali no meio, não podemos entrar lá dentro. Ou muito me engano, ou este mausoléu é um sítio importante para os humanos, se entramos lá dentro estamos feitos.

-Deixa-te disso Zizi, tu não vês que tem ali muitas cadeiras vazias? Entras aqui pelo telhado cais numa, trazes Aquilo e vamos embora…

-Olhem eu vou, pronto! Assim fica o assunto arrumado – aventurou-se Gégé.

Gégé atirou-se então pelo telhado e caiu mesmo em frente do político que discursava na altura. O discurso parecia-lhe um tudo-nada confuso, mas o que queria era pegar Naquilo, e ir-se embora. Contudo, quando Gégé já tinha Aquilo na mão, opolítico dirige-lhe uma pergunta:

-E o senhor deputado, o que acha?

-Está a falar comigo? – inquiriu Gégé.

-Pois está claro que estou! Que me tem a dizer senhor deputado, o que acha disto?

-Disto?Disto ou Daquilo? Aquilo é muito importante para mim, mesmo muito importante! Aliás, é por causa d’Aquilo que eu estou cá...

-Por amor de Deus senhor deputado, aquilo também não é assim tão importante.

-O senhor é que não percebe nada disto – atirou-lhe Gégé.

O Parlamento rompeu em gargalhadas e bateu palmas a Gégé, que aproveitou para sair de mansinho; ao chegar perto dos amigos Quimé elogiou:

-Parece que os humanos te acharam piada Gégé, se calhar devias investir nisto!

-Oh, vamos mas é para a nossa galáxia, que já temos Aquilo!

E lá foram os três amigos de volta para a sua galáxia, rindo-se da confusão que ia no meio de todos aqueles políticos.

 

(História
escrita por Daniela Leal para a Fábrica de Histórias)

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publicado por CoisasDeTudo às 18:08

O que faz falta

Sexta-feira, 06.01.12

Começo a ficar irritada por ouvir a palavra "Crise".

Todos os dias me bombardeiam com discursos onde esta palavra impera, e qual não foi o meu espanto, quando uma professora minha veio desabafar sobre este mesmo assunto,alegando partilhar da mesma opinião que eu, e aproveitando a deixa para se lamentar do estado em que se encontra o país.

Pois a mim irrita-me muito mais pessoas sem ambição e vontade para trabalhar do que ouvir falar em crise.

Quando se tem dezassete ou dezoito anos não se está em tempo de viver somente de sonhos, mas deve-se sim ter ambição de ser alguém melhor, capaz de deixar a sua marca na construção de um mundo, que se não for melhor,ao menos que não seja pior do que quando o encontramos.

Contudo, ao falar com a maioria das pessoas que me rodeiam, elas passam-me "atestados de experiência de vida", dizendo-me basicamente, que o melhor a fazer é estudar um bocado, tirar um curso na área das Ciências (sim, porque o resto é deitar tempo e dinheiro fora!), e fazer uma vidinha de modo a roubar o mais possível ao Estado, dado que ele também nos rouba a nós.

Ouvir uma coisa destas dá é vontade de atirar as pessoas do 7º andar...

Em primeiro lugar, todos nós temos uma quota parte de culpa relativamente a esta crise: queiramos ou não. Já todos roubaram ao Estado, já todos fugiram aos impostos, já todos foram cidadãos inconscientes alguma vez, e agora vêm com a conversa que a culpa é única e exclusivamente dos membros do Governo!

Sejam sinceros pelo menos uma vez na vida.

Agora custa-me também entender como pode este nosso país sair do buraco onde se meteu, se a grande maioria dos seus estudantes parece fazer questão de envergonhar o seu país, e digo mais, como estudante que sou, tenho imensa pena de muitas coisas que vejo passar à minha volta, mas vamos por partes:

 

1º- A maioria dos estudantes prefere gastar o seu tempo a elaborar o conhecido "copianço" do que a estudar para aprenderem alguma coisa;

2º- Grande parte dos estudantes na altura de escolher a sua área de estudos para o Ensino Secundário, faz a sua escolha sem pensar profundamente no assunto, e depois os resultados são os que estão à vista;

3º e último- O nosso Governo é tão consciente de como ser um bom estudante no meio de tudo isto, que opta por reduzir bolsas de mérito e apoio económico, que aumenta propinas, que vem falar-nos em "facilitismo nos exames nacionais".

 

Senhor Primeiro-Ministro sabe o que é facilitismo?

Eu vou explicar-lhe: facilitismo consiste em criticar as medidas de outrem e dizer que se vai fazer exatamente o contrário, e na hora da verdade, quando se tem poder nas mãos, fazer ainda pior.

Chega a ser triste ver o ponto a que isto chegou e ouvir aquilo que esta população diz - pode entender-se facilmente que estão descontentes, tudo bem- mas o que não se pode entender é as pessoas não perceberem que a educação e a formação são essenciais para se fazer avançar uma nação. Nos países mais desenvolvidos um trolha, um canalizador, um eletricista têm um curso superior - porque ter uma profissão destas não significa que as pessoas têm que ser menos dotadas ou terem menos formação - o que importa é apesar da profissão que exercem serem cidadãos conscientes, ativos, que têm noção do papel que têm que desempenhar na sociedade, porque não existem profissões ou cargos melhores e piores, existem funções diferentes, isso sim.

Se eu por acreditar que há solução para tudo isto, e que o futuro do meu país também depende de mim, do meu trabalho e da minha ambição, sou utópica, então não me importo de receber esse rótulo.

Há uns anos atrás, ter uma rede capaz de nos fazer aceder em qualquer lugar, a todo o tipo de informação através de um simples clique, era uma utopia: hoje em dia todos temos Internet em casa.

Antes dos portugueses se aventurarem nos Descobrimentos o Mundo era como uma bolacha: chegava-se a um ponto que já não havia mais nada, e pumba se caía no abismo;e ainda mais: a América, supostamente, nem existia!

Hoje andam os americanos a mandar nisto tudo.

 

Com pessoas conformistas que preferem cruzar os braços e enterrar a cabeça na areia (como as avestruzes), realmente não vamos sair deste fosso que nós próprios ajudamos a cavar.

 

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publicado por CoisasDeTudo às 19:33

Apresentação

Segunda-feira, 02.01.12

Antes demais, boa noite e o desejo de um bom ano de 2012 a todos vós.

 

Inicio este blog depois de me reencontrar com um projeto, no qual já participei,e que despertou em mim agora novamente a vontade de gerir um blog.

Por este blog passarão várias histórias e fragmentos da minha autoria, comentários a notícias, entre muitas outras coisas.

 

Espero que apreciem os conteúdos deste blog e que partilhem comigo também as vossas opiniões e trabalhos.

 

 

Desde já: Sejam bem-vindos !

 

 

 

 

 

 

 

*DanielaLeal*

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publicado por CoisasDeTudo às 18:59





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